Fotografo: Ernesto de Souza
Fêmeas nelores em piquete de fazenda em Uberaba, onde a genética de ponta prevalece
Tipo “gigante” ou de porte médio? Opiniões apaixonadas se dividem e algumas defendem a estatura média para enfrentar o clima quente e seco do Brasil Central
Texto: Sebastião Nascimento
- Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na integra na edição da revista Globo Rural maio/2010
Das concorridas e pesadas pistas de julgamentos da Expozebu de Uberaba, MG, que alçam ao estrelato os animais campeões e multiplicam seus preços e os dos futuros filhos no mercado, ele fez a opção de nunca participar. Luciano Borges Ribeiro, titular do mineiríssimo Rancho da Matinha, não segue a cartilha do tradicional zebuzeiro daquela cidade onde está concentrada a nata do rebanho vindo da Índia - há mais de um século - e que mudou para melhor o perfil da pecuária brasileira. Com convicções próprias obtidas ao longo de décadas forjando o nelore, o criador vende gado de sua marca em um exclusivo leilão anual. Luciano da Matinha tem 62 anos, é engenheiro civil e pode ser classificado como um selecionador independente, além de adepto incondicional do nelore de médio porte, que considera melhor adaptado ao manejo a pasto sob o inclemente sol dos trópicos. Nesse ponto, não tem meio termo. "A finalidade de nosso trabalho é uma só: produzir carne para abastecer uma demanda mundial crescente, lapidando, via melhoramento genético, características de reais interesses econômicos."
Luciano é parte das discussões "positivas e frutíferas" travadas no Brasil com objetivo de se chegar ao nelore ideal para a produção de carne: o animal de grande porte, que pode gerar, por exemplo, bezerros de carcaças mais pesadas ou o de estatura média, que exige menos comida no trato, segundo estudiosos? Emprestando os termos da academia: "A relação entre tamanho corporal e produtividade nos zebuínos". Esse debate é importante para a melhoria da pecuária, na ótica de Luiz Antonio Josahkian, professor da Faculdade de Agronomia e Zootecnia de Uberaba e superintendente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Diz ele: "O tamanho ótimo para bovinos de corte é questão que vem sendo debatida e discutida desde o início do século XIX e continua até hoje". Segundo Josahkian, não há diferenças claras de eficiência relacionadas ao tamanho corporal. "Existe um nicho biológico ou econômico para cada tamanho. Condições de produção são dinâmicas ou cíclicas, fazendo com que as preferências de porte permaneçam em contínuo desequilíbrio." Traduzindo: nem tanto o céu nem tanto a terra.
Há alguns anos, a ABCZ tentou limitar a participação de bovinos "gigantes" nos julgamentos de pista. Mais tarde, reviu os conceitos. E, no caso do nelore, o calor gerado pelas opiniões e análises é mais intenso e apaixonado devido à raça ser de longe a mais populosa do país. Seu sangue está em cerca de 80% do rebanho nacional, que é formado por 195 milhões de cabeças. A nelore foi decisiva para o Brasil se enfileirar entre os três maiores produtores mundiais de carne e para há anos permanecer no topo do ranking dos países exportadores. Deu força também à imagem positiva do país como fabricante de carne a pasto
Postagem: 21-05-2010
Autor: RANCHO DA MATINHA